Laura Muller

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Curitiba 2017: Em 7 anos, prevalência do HIV em jovens HSH menores de 25 anos cresceu 140%, revela pesquisa

postado em 27/09/2017 17:49 / atualizado em 01/11/2017 16:51
Por: Laura Muller

Em 2009, a taxa de prevalência do HIV em jovens HSH (homens que fazem sexo com homens) menores de 25 anos era de 4,0%. Em 2016, o número subiu para 9,4%, representando um aumento de 140%. O dado foi apresentado na manhã desta quarta-feira (27), pela pesquisadora Ligia Kerr, da Universidade Federal do Ceará, no 11º Congresso de HIV/Aids e o 4º Congresso de Hepatites Virais, em Curitiba. A especialista está à frente do estudo de abrangência nacional de comportamentos, atitudes, práticas e prevalência de HIV, sífilis e hepatites B e C entre HSH. O estudo identificou ainda que entre os jovens com mais de 25 anos, a prevalência se manteve em 20% nos últimos 7 anos.

Segundo a pesquisadora, uma das causas para este aumento está ligada a dificuldade de prevenir quando se trata de relacionamentos envolvendo o gênero masculino. Outra hipótese é a globalização do comportamento. Ela também creditou o aumento a medicalização da prevenção. “Não estou criticando as novas tecnologias de prevenção, mas as pessoas estão transformando tudo em medicalização.”

A pesquisa ouviu 187 homens que fazem sexo com homens de 12 cidades brasileiras. Para participar, o critério era ser maior de 18 anos e ter tido pelo menos uma relação sexual (oral, anal) com outro homem nos últimos 12 meses.

A prevalência da sífilis também foi observada no estudo e ficou em torno de 27,6%. “O dado triplicou se comparado a 2009.”

Travestis e mulheres transexuais

A professora Maria Amélia, da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo, também participou do debate e apresentou a ‘Pesquisa Divas’, um estudo parecido com o da professora Ligia, mas com foco em travestis e mulheres transexuais de 12 cidades brasileiras.  A pesquisa ouviu, entre 2016 e 2017, 2770 pessoas. “Nesta população, a prevalência do HIV foi em média 20 vezes mais alta que a média nacional em quase todas as capitais, e mais alta que a estimada para HSH. Também encontramos prevalências extremamente elevadas de exposição à sífilis”, explicou a especialista.

Em São Paulo, 386 travestis e mulheres transexuais participaram do estudo e todas realizaram testes rápidos de HIV, sífilis e hepatites B e C, além de responder a um questionário. “40,5% dos testes de HIV realizados deram positivos, a sífilis ficou em torno de 64,56% e as hepatites B e C ficaram em 2.74%.”

De acordo com Maria Amélia, “no mundo estima-se que 19% das mulheres trans vivam com HIV. E a chance de uma mulher trans adquirir o HIV é 49 vezes mais alta do que o conjunto dos adultos em idade reprodutiva”, explicou.

Para a especialista, os resultados apontam para a necessidade de novos projetos, programas e iniciativas de estudos e pesquisas no âmbito da prevenção, em especial ao HIV/aids e da sífilis”.

Ela também defendeu a inserção da população de travestis e mulheres transexuais vivendo com HIV e da sociedade civil nas decisões. Além do fortalecimento dos serviços de assistência e prevenção, da redução do estigma e intervenções estruturais.

Profissionais do sexo

Os dados sobre comportamentos, atitudes, práticas e prevalência de HIV, sífilis e hepatites B e C entre mulheres profissionais do sexo foram apresentados pela pesquisadora Célia Landmann Szwarcwald, da Fiocruz. Chamado de “Corrente da Saúde II”, a pesquisadora comparou os números recentes com os colhidos em 2009.

O estudo ouviu 4328 profissionais do sexo com mais de 18 anos de 12 cidades brasileiras. A prevalência do HIV nesta população continuou praticamente a mesma ao longo de sete anos. Em 2009, o estudo registrou 4,9% contra 5,3% em 2016. Já a prevalência da sífilis aumentou de 2,3% para 8,4%

“Nesta pesquisa encontramos alguns avanços, como por exemplo, o aumento na cobertura de teste de HIV e a maior distribuição e uso de preservativos. No entanto, houve a diminuição da cobertura de exame ginecológico e da participação em ONG e palestras”, destacou Celia.

Presente no debate, a diretora do Departamento de IST, Aids e Hepatites Virais, do Ministério da Saúde, Adele Benzaken, disse que o departamento está se organizando para dar uma resposta aos dados apresentados. Já sabemos que a prevalência do HIV e da sífilis está aumentando, agora vamos decidir o que fazer. Não fazemos pesquisas por fazer”, finalizou.

Serviço:

11º Congresso de HIV/Aids e o 4º Congresso de Hepatites Virais
De 26 a 29 de setembro
Expo Unimed (Rua Professor Viriato Parigot de Souza, 5300)

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Dica de entrevista

Assessoria de Imprensa do Departamento
Tel.: (61) 3315-7665

Talita Martins, de Curitiba  (talita@agenciaaids.com.br)

A Agência de Notícias da Aids cobre o 11º Congresso de HIV/Aids e o 4º Congresso Brasileiro de Hepatites Virais a convite do Departamento de DST, Aids de Hepatites Virais (DDAHV).

 Fonte: Agência Aids



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